(In)finitudes – Maristela Ono
“Esta exposição investiga percepção, materialidade e tempo a partir da luz como elemento estruturante da experiência estética. Ao deslocá-la de sua função tradicional, a de revelar a obra, a artista a transforma em matéria sensível, instaurando um espaço onde ver implica atravessar, desacelerar e recalibrar o olhar.
A instalação e pinturas operam em regimes de baixa intensidade, nos quais a luminescência não se apresenta como espetáculo, mas como acontecimento. Em ambientes de penumbra, a percepção se constrói por camadas, ativando memórias sensoriais e tensionando os limites entre o visível e o imaginado.
Sua produção dialoga com práticas contemporâneas que privilegiam a experiência em detrimento do objeto, mas se singulariza pela recusa do excesso e pela valorização do mínimo. Há, em sua obra, uma economia precisa, onde o gesto contido carrega densidade poética e conceitual.
A noção de (in) finitudes se apresenta como um campo de coexistência, não oposição, entre finito e infinito. A obra se configura como estado transitório, onde luz e sombra, presença e ausência, emergem em constante deslocamento. Sua ascendência reverbera na atenção ao intervalo, ao silêncio e ao que não se completa.
Percebo que a força do trabalho de Maristela reside justamente nesse espaço sutil onde a obra não se impõe, mas se revela na experiência. Há uma delicadeza rigorosa que nos convida a desacelerar e a reconhecer, no quase invisível, uma potência profunda de presença.
(in)finitudes propõe, assim, uma reorganização do sensível, um convite à escuta do olhar e à experiência do tempo em sua dimensão mais rarefeita.”
Edilene Guzzoni
Curadora










































